Eis então o dia que eu mais esperei durante os últimos 365 dias: HAIR estreou no Brasil.
A remontagem assinada por Charles Möeller e Cláudio Botelho estreou dia 5 de novembro, no Rio de Janeiro, no teatro Oi Casagrande.
Minha história com esse musical é de admiração e envolvimento com a causa abraçada por essa obra.

Hair é passado em 1968 em Nova Iorque, na época da Guerra do Vietnã. Seus personagens são uma tribo de hippies que vivem suas vidas nas ruas, pedem dinheiro, usam drogas, e são contra a violência e as guerras. Tudo que eles querem é que a paz e o amor guiem o planeta para que o homem não cometa mais atos que depredem sua geração e as futuras.
A tribo é liderada pelo personagem mais foda de todos os tempos no mundo inteiro George Berger, seguido por Jeanie, Woof, Sheila, Claude, Hud, Dione e os demais membros.

O BERGER: Berger é a mente da tribo. Se tem uma palavra que o descreve é a liberdade. Ele tem as ideias, tem os ideais, tem suas filosofias e seus seguidores as abraçam e fazem com que todas sejam realizadas. Toda forma com a qual se colocam no cenário é comandada por Berger. Ele é como um cacique de uma tribo indígena. O NOVO BERGER: Eu sou uma fã do Berger, adoro o personagem desde meu primeiro contato com Hair. Quando vi o nosso Hair ao vivo e a cores, apenas me apaixonei por mais uma interpretação digna do Berger brilhantemente realizada por Igor Rickli.
A JEANIE: Jeanie é a libertina, digamos assim. Ela é uma pessoa que a pesar de toda sua loucura causada pelas drogas, de estar grávida e não fazer ideia de quem seja o pai, até mesmo de sua paixão por Claude, é uma ótima amiga e companheira de todos da tribo. A NOVA JEANIE: A personagem mais divertida de todo o musical, Jeanie arranca risadas de toda a plateia em todas as suas falas. Até mesmo no solo de Jeanie, ela é comédia pura. Só tenho um comentário sobre ela: Letícia Colin, você nasceu pra ser a Jeanie.
A SHEILA: Sheila é a típica menina que larga tudo por seus ideais. Vive com a tribo, encabeça lutas pela liberdade e pela paz, enfrenta o sistema e é apaixonada por Berger que só quer saber de sua liberdade e não quer compromisso com ninguém, enquanto Claude é louco por ela. A NOVA SHEILA: Eu acho a Carol Puntel uma profissional excelente, uma cantora ótima e dona de uma voz incrível, mas infelizmente ela não tem a voz pra Sheila. Seus vibratos em seus solos como Easy To Be Hard e Good Morning Starshine incomodam muito, além da voz dela não alcançar notas que são as mais marcantes das músicas. Fica claro aqui que admiro muito a Carol Puntel, só não acho que ela tenha se encaixado na Sheila como cantora.
O CLAUDE: Claude é o ponto central da peça. Ele é o menino que queria ter nascido em Manchester, que tem vergonha se ser suburbano do Queens, que tem pais preservadores como todos os pais daquela época, luta pela liberdade e pela paz, mas é pressionado o tempo todo para se tornar alguém na vida trabalhando e se dedicando a encontrar alguma carreira, e parar de andar com a tribo que, aos olhos dos pais, não lhe dará futuro algum. Claude resolve virar alguém na vida quando é convocado para a Guerra do Vietnã. Em busca de uma solução, Berger convoca uma ação com sua tribo para que todos os homens queimem suas cartas de convocação e documentos. O único que não o faz é o Claude, pois ele vê alí uma chance de se tornar alguém. O NOVO CLAUDE: Ele é o que deveria ser. Simples, tímido, perdido, e ao mesmo tempo com uma vontade de ser alguém na vida e determinado a fazer isso através de sua participação na guerra do Vietnã. O Claude é um dos personagens mais difíceis, na minha opinião. Ele tem que ser um pouco de tudo ao mesmo tempo, e passar com verdade ao vivo, na frente de todos. É um Claude que faz rir, que emociona e que faz o público vibrar. Uma salva de palmas para Hugo Bonemer.
O WOOF: O Woof é filho da lua, nutre uma paixão platônica pelo Mick Jagger o que não o torna um homossexual, já que não gosta de rótulos. Ele é um personagem indefinido. Esconde nas suas “orações” os seus desejos. O NOVO WOOF: Só pela descrição do personagem, dá pra imaginar como o Woof arranca gargalhadas do público, né? Marcel Octavio arrasa MUITO como o Woof.
O HUD: É o principal negro da tribo. Ele usa o preconceito contra os negros como o principal ponto de sua atuação. Em Colored Spade, Hud fala todos os apelidos que as pessoas dão aos negros e fala da forma com a qual as pessoas os veem nas ruas. Usa a ironia para destacar o preconceito e mostrar que a luta dos hippies também é contra o preconceito, já que na tribo têm vários negros. O NOVO HUD: Sem palavras. Ele é brilhante, irônico, engraçado. Reynaldo Machado é o Hud sem dúvidas.
Tribo: acompanha os protagonistas da história com o coro, e alguns solos. Alguns têm destaque em músicas como White Boys e Black Boys. Dois nomes que merecem destaque nessa tribo: Danilo Timm e Bruna Guerin.
A MARGARET: Danilo interpreta, além de um dos membros da tribo, Margaret Mead. Ela é uma turista que está passando pelo local onde a tribo está e fica curiosa em saber porquê os homens usam cabelos tão grandes. Depois que eles contam o significado através da canção Hair, ela diz que todos os pais deveriam dizer aos seus filhos que sejam livres e façam o que quiserem, desde que não prejudiquem ninguém e canta seu solo. Ao fim, Margaret revela que é um travesti. A NOVA MARGARET: Que o Danilo Timm é brilhante eu já sabia, mas depois de vê-lo como Margaret Mead eu simplesmente perdi as palavras para elogiá-lo. É tudo tão natural que você sente como se tudo aquilo fizesse parte da realidade deles mesmo. Não é a toa que ele recebeu aplauso em cena aberta em todas as apresentações que vi até agora.
A MÃE DO CLAUDE: Uma mulher conservadora, que não suporta ouvir falar em drogas, bebidas, e é contra seu filho andar com pessoas que usam tudo isso, temendo pelo futuro dele. Apesar de ser uma mulher conservadora, ela só quer o melhor para Claude. A NOVA MÃE DO CLAUDE: Bruna Guerin passa através de sua atuação impecável um misto de preocupação com humor, desde as falas até as expressões. Ela é ótima, e canta muito! Pulo certo com a escolha.
Em parâmetro geral, HAIR é uma das melhores coisas que já vi na minha vida. Um Aquário de emocionar qualquer coração de pedra, comandado pela brilhante Karin Hills que merece parabéns e destaque pela voz mais marcante e bela que ouvi. Parabéns a todos os envolvidos e muito sucesso.
HAIR
o musical que mudou o mundo
Oi Casa Grande
Avenida Afrânio de Mello Franco, 290, Leblon
De quinta e sexta, às 21h.
Sábados 21:30h.
Domingos, às 19h.
Realização: Aventura Entretenimento.
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